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Escrito por Fábio Soldá às 20h38
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A Revolução Constitucionalista de 1932
Com um dia de atraso, faço aqui uma recordação a respeito do dia de ontem - 9 de julho. Dia do MMDC.
Para quem desconhece a história de São Paulo, esta sigla é formada pelas iniciais dos mártires do prélio paulista contra o golpe de Getúlio Vargas, no dia 23 de maio de 1932. São eles: Mário Martins de Almeida, fazendeiro em Sertãozinho, morto aos 31 anos; Euclydes Bueno Miragaia, auxiliar de cartório em São Paulo, morto aos 27 anos; Dráuzio Marcondes de Souza, ajudante de farmácia em São Paulo, morto aos 14 anos, e Antônio Américo de Camargo Andrade, comerciário morto aos 30 anos, deixando mulher e três filhos. Seus corpos jazem num mausoléu próximo ao Parque do Ibirapuera, onde foi erigido um obelisco.
O dia 9 de julho foi o estopim da revolução, comandada pelas oligarquias paulistas, que foram afastadas do poder na revolução de 1930. O Brasil inteiro se voltara contra São Paulo, à exceção do Mato Grosso. Até então, alternavam-se no poder as oligarquias dos estados de Minas Gerais e São Paulo, a chamada "política do café-com-leite". A deposição de Washington Luís pelos militares e ascensão de Getúlio Vargas pôs fim a isto. Vargas deu um golpe de estado, assumindo poderes muito amplos para si, extingüindo a câmara municipal e o congresso, e anulando o pode r dos governadores dos estados, nomeando interventores em seus lugares. São Paulo voltou-se contra isto, e os paulistas - militares e civis - chegaram a pegar em armas para exigir uma nova constituição, limitando assim os poderes de Getúlio Vargas. As ruas da cidade de São Paulo foram tomadas pelas tropas.
Muitas pessoas fora de São Paulo ridicularizam esta data, dizendo que isto é a comemoração de uma derrota. Não é verdade. Apesar da rendição das tropas, sufocadas pelo maior armamento do governo federal, dois anos mais tarde (1934) a nova constituição foi promulgada, atingindo seu objetivo. Por esta razão, esta data deve, e muito ser comemorada. Não como um preito a São Paulo, mas também como um preito à democracia.
Escrito por Fábio Soldá às 20h34
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