Um anti-semita da PUC
Gilberto Freyre provavelmente ficaria consternado ao saber que a democracia racial no Brasil não passa de um mito. Além da institucionalização da discriminação que já vemos usando as famigeradas cotas para “afro-descendentes” - como se eles fossem incapazes de entrar na faculdade por méritos próprios – além do próprio eufemismo usado (alguém já ouviu falar em “euro-descendentes”?), parece que a discriminação religiosa também é um caso sério.
Não raro, vemos evangélicos e católicos trocando farpas, ateus e crentes trocando acusações – uns são “coitados que precisam acreditar em alguma coisa”, outros são “encarnações do diabo e do anti-Cristo”, e ainda as religiões minoritárias como os muçulmanos e os judeus, que em geral praticam sua fé tàcitamente, sem incomodar ninguém. Sou cristão, de orientação católica, portanto sinto-me completamente à vontade para defender os judeus e muçulmanos brasileiros. Interessante que os judeus, que não se incomodam com a fé cristã da maioria dos brasileiros, ainda sofrem discriminação por aqui. Sim, os judeus. Parece que ainda há algumas pessoas que sentem alguma nostalgia dos tempos do nazismo. Pois bem, tenho a tristeza de informar que uma ignóbil criatura, que infelizmente está professor de Adminstração de Empresas na PUC de São Paulo, e que, ou por ignorância, ou por má-fé, chamou uma amiga minha muito próxima e muito querida de “judia vagabunda” - isso porque ela faltou no dia de uma prova por ser o feriado do Rosh Hashaná, o ano novo judaico. Eu não estava presente, mas ela conta que havia um outro judeu na classe que também se sentiu ofendido e protestou contra o “professor”. E tal "professor" ainda teve a cara de pau de ameaçar entrar com uma denúncia na reitoria contra ambos por “desacato ao professor” (!), ignorando os estatutos da PUC que pregam a igualdade de direitos entre o aluno e o professor. Os professores estão sendo pagos pelos alunos para dar aulas, portanto os alunos têm todo o direito de exigir respeito deles. É dos alunos que sai o sustento dos professores, portanto eles têm por obrigação duas coisas: fazer com que o aluno saia da aula deles sabendo a matéria ministrada por eles, e respeitar o aluno acima de tudo. É muito provável que esse indivíduo seja encaminhado a uma carceragem, sendo o racismo um crime inafiançável. Mas isso ainda preocupa, porque, sendo esse um caso próximo, quantos outros será que não existem ainda no Brasil? E quantas pessoas será que ainda não ficam caladas diante disso? O sinal vermelho está aceso.
Escrito por Fábio Soldá às 15h40
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