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A motivação do trabalhador
No ano eleitoral em que vivemos, existe uma preocupação séria com a questão do desemprego. Todos os candidatos, sem exceção, colocam na pauta de seu programa de governo os problemas do trabalhador, e é comum (e compreensível) vincular o trabalho à geração de renda e de emprego. Mas será que a função do trabalho realmente é essa?
Na verdade, se examinarmos com calma, observaremos que o problema é um pouco mais complexo. Como diz uma professora de Finanças da PUC-SP, com quem tive aula, se a função do trabalho fosse apenas gerar dinheiro, só existiriam dois tipos de negócio: tráfico de drogas e prostituição. Na minha formação de administrador de empresas, e com a autoridade de quem sente isso na pele atualmente, digo que a motivação do trabalhador vai muito além do dinheiro. É curioso notar que existem várias vagas como operador de telemarketing, enquanto pessoas formadas, por exemplo, em Zootecnia, têm mais dificuldades de encontrar vaga. Aí entra a questão da qualidade de vida do trabalhador: se ele não tem vocação para o trabalho que lhe foi designado, ele nunca vai desempenhar aquela função de maneira satisfatória. Ainda mais importante que solucionar o problema do desemprego é equilibrar a demanda com a oferta de profissionais especializados e qualificados. Um biólogo pode até conseguir um emprego como bancário e ganhar um salário ainda melhor do que ganhava sendo biólogo, mas, se ele não tem vocação para ser bancário, ele perde muito de sua qualidade de vida. A mesma coisa pode acontecer dentro de uma mesma carreira. Uma pessoa com aptidão para lidar com pessoas e atender clientes em vários lugares sentir-se-á sufocada e deprimida se a única vaga que encontrar fôr em um serviço burocrático que a obrigue a passar o dia encerrada entre quatro paredes, mesmo que haja um incremento no salário.
O homem nasceu para servir, mas Deus, sabiamente, deu vocações diferentes a cada pessoa. Todo tipo de profissão é importante para a humanidade, desde o lixeiro até o empresário, desde o artista até o médico. E quanto mais feliz o indivíduo estiver na sua carreira profissional, mais motivação e ânimo ele terá para exercer seu trabalho com perfeição. Portanto, mesmo que o desemprego tenha uma queda, é importante também verificar se os empregos que estão sendo gerados demandam uma qualificação compatível com a formação dos trabalhadores em oferta.
Escrito por Fábio Soldá às 22h40
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